Episódio #3 Temporada 7: A Anita e “la famiglia”

Num exercício de reflexão em que explora as suas influências e crenças mais antigas, a Anita vê-se arrastada para uma constatação que a deixa intrigada.

Educada e formatada para separar vida pessoal da vida profissional, sem nunca realmente ter sido bem sucedida, e após dois anos de absoluta promiscuidade entre trabalho e vida familiar, a Anita sente que os filtros e barreiras se desmoronaram e expuseram camadas e uma complexidade que lhe tinham escapado.

E se, as raízes e as estruturas que pôs a descoberto são bem mais antigas e profundas? Se na verdade não são independentes e têm uma origem comum, que remonta à sua infância?

No episódio de hoje, a Anita arrisca tudo num exercício de psicanálise onde explora o papel dos sistemas e dinâmicas familiares no seu desenvolvimento enquanto profissional e nas dinâmicas e relações profissionais que hoje vive.

 

Neste episódio mencionamos:

“Family Ghosts in the Executive Suite”, artigo escrito por N. T. Perkins, publicado em Janeiro de 2022 na Harvard Business Review
“Mindset”, de Carol Dweck
O primeiro episódio de 2022, uma conversa com a Constança sobre modelos mentais, onde mencionamos o livro “Mindset”
“The 7 Habits of Highly Effective People: Powerful Lessons in Personal Change”, de Stephen R. Covey
Episódio #33 Temporada 6: A Anita empreende uma nova filosofia de vida (o episódio onde falamos sobre “eudaimonia”)
“Ética a Nicómaco”, de Aristóteles, Ed. Almedina
Denise Duffield-Thomas
Consultório da Anita
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E não se esqueçam:
A Anita regressa ao trabalho quando bem lhe apetece e pode, idealmente a cada semana, mais coisa menos coisa, com um ponto de situação nos seus projetos. No entanto, como boas aspirantes à omnipresença, continuamos ligadas no Instagram, em @anita_no_trabalho, e ainda em anitanotrabalho.com, onde poderão conversar connosco através da secção Querida Anita, ou no Facebook.

Ou nas nossas plataformas profissionais:
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Billy: airdesignstudio.com | facebook | Instagram
Constança Cabral: Blog | Instagram | Facebook

Créditos:
“Polygamie” de Gabriel Vigliensoni, através do Free Music Archive.

2 comments

  1. Naná says:

    Muito curioso este tema…

    A minha família impactou-me muito. Pelas mais diversas razões, umas positivas e outras negativas.
    Ser filha única deu-me ferramentas para me desenrascar e resolver tudo sozinha, ser independente, sem contar com a ajuda de mais ninguém – pode ser benéfico e pernicioso ao mesmo tempo, mas tem-me sido muito útil;
    Ser filha tardia, o que resultou num «age gap» em relação aos meus pais enorme e diferente do «age gap» dos meus amigos e colegas, deu-me maturidade muito antes do aquilo que seria expectável. Por vezes digo que sou uma alma antiga num corpo de jovem… mas depois, apesar dos 43 anos, sinto-me com 25 anos. Na flor da idade, portanto… hahahahah
    Ser filha de pessoas oriundas de um meio humilde, filha, neta e bisneta de agricultores, bastante tradicional, deu-me valores muito importantes, mas regras bem definidas, de ética de trabalho, de honestidade, de justiça, etc.
    A minha mãe ter tido as ambições de estudar e ter-lhe sido vedada essa hipótese fez com que ela incutisse em mim a importância de seguir estudos e desenvolver-me em termos de conhecimentos. Ela foi uma grande motivadora de eu ter ido para a universidade, e devo ter sido a primeira em várias gerações da minha família, sempre ela ligada à terra e à agro-pecuária.
    O facto de a minha mãe ter falecido quando eu tinha 16 anos depois de mais de 3 anos de luta contra o cancro, deu-me a visão de perceber que a vida é valiosa. A morte da minha mãe foi o motor de tanta coisa na minha vida. Foi a falta dela que fez com que eu deixasse de ser a menina tímida e quase invisível, que passava despercebida a quase todos, e me revelasse em todo o meu esplendor de extrovertida e tagarela (a falar e a escrever) a partir do momento em que entrei na universidade. Eu diria que aproveitei essa nova fase da minha vida para criar todo um novo eu, o verdadeiro, daquilo que sou hoje em dia, sem me preocupar com o que outros acham ou pensam de mim.
    Foi a morte dela que me fez querer mais e melhor, e tudo o que tenho ido conquistando é sempre em homenagem a ela. A minha mãe era uma mulher tradicional com ideias nada convencionais e conservadoras. Ela sem saber, incutiu-me o feminismo, de várias formas, sendo uma delas o facto de ela ganhava o dobro do meu pai sem que isso tivesse influência na felicidade conjugal dos meus pais.
    Foi com ela que aprendi o meu estilo de parentalidade, dar muito amor sem sufocar, tentar aceitar as decisões e escolhas dos meus filhos mesmo que não concorde com elas, deixar os meus filhos fazerem as suas escolhas desde cedo, para que possam aprender a tomar decisões e saberem como lidar com as consequências das suas escolhas. Foi com ela que aprendi a incentivar os meus filhos nas ambições que eles têm, desde que eu possa ajudá-los nisso.
    Já o meu pai… apesar de ser um homem que eu admirava, o facto de ele ter uma relação negativa com o dinheiro, era excessivamente agarrado ao dinheiro e fazia contas a tudo, fez com que eu encare o dinheiro de forma muito diferente. As inúmeras discussões que tivemos ao longo do tempo centrou-se sempre sobre isso, e fez-me ter uma relação muito desapegada com o dinheiro. No entanto, ambos incutiram-me a importância de poupar e de gerir o dinheiro com sabedoria.
    Por isso, digo, a nossa família enforma-nos para bem e para o mal. No meu caso, ou me mostrou como fazer ou então, exatamente como não fazer eheh
    Como por exemplo, perceber o que não queria num companheiro… não queria um companheiro que não dividisse a parentalidade e a “vida doméstica” comigo. Que era o caso em minha casa. O meu pai também era muito tradicional e conservador nisso e eu achei que ser dona de casa e mãe e mulher trabalhadora, como era a minha mãe, sem grande ajuda do meu pai, não era para mim. Não que o meu pai não fosse capaz de o fazer, que o era, mas como a minha mãe permitia, ele também não se esforçava…

    • anitanotrabalho says:

      Tanto na tua história nos é familiar! A família, que tantas vezes achamos que não tem lugar na nossa vida profissional, tem um impacto tão profundo em nós que mesmo em contexto profissional se manifesta na forma como somos e agimos. Foi uma conversa interessante também para nós, para nos vermos de forma mais inteira e menos compartimentada.

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