Episódio #3 Temporada 3: Can we have it all? com Sónia Pinto Rodríguez

Can we have it all?

Do pouco que conseguimos ler do seu CV, não é mulher de escolhas óbvias: fez o curso de Engenharia Informática no Técnico, numa altura em que quase não havia mulheres na área, de onde saiu para se tornar consultora na Accenture; após 7 anos decidiu mudar-se para Londres, onde viveu e superou com sucesso as dificuldades de encontrar emprego sem ter UK experience…

Esteve na Tata, saiu como consultora externa para o Deutsche Bank onde atualmente está como Project Manager e Senior Business Analyst, mas como prestadora de serviços.

Se falamos em não fazer as escolhas mais óbvias, falamos em escolhas que têm por detrás prioridades e um plano de vida bem claros: tem um emprego estimulante, segurança profissional e independência q.b. que lhe permite ser mãe e não ter de subcontratar esse papel.

Defende abertamente que não é possível conciliar carreira com maternidade, que é necessário ceder sempre nalguma das partes e vive bem com isso. Soa a conversa interessante pela frente…com a Sónia Pinto Rodríguez.

E não se esqueçam:
A Anita regressa ao trabalho a cada duas semanas, mais coisa menos coisa, com um ponto de situação nos seus projetos… no entanto, como boas aspirantes à omnipresença, continuamos ligadas no anitanotrabalho.com, onde poderão conversar connosco através da secção Querida Anita, ou no Facebook.

Ou nas nossas plataformas profissionais:
Eli: nautilo.net | facebook | obvious | twitter | instagram
Billy: airdesignstudio.com | facebook | instagram

Créditos:
“Polygamie” de Gabriel Vigliensoni, através do Free Music Archive.

One comment

  1. Naná says:

    Uiii, mais um tema que me diz muito! Prevê-se um comentário de “lençol”…
    Ainda me lembro de quando um chefe que eu admirava muitíssimo me disse em tom acusatório que “eu não podia ter tudo”… (nesse dia deixei de o admirar! foi a primeira vez que me senti discriminada por ser mulher e mãe e o que mais me incomodou foi que isso partiu duma pessoa com habilitações académicas bastante elevadas e bastante esclarecidas)

    Senti que foi uma injustiça tremenda da parte dele, porque agora que era mãe cumpria as «8h diárias x 5 dias semana» para o qual me pagavam ordenado. Achei que foi uma desconsideração enorme da parte por todo o meu esforço e o meu empenho, que não tinha mudado.
    É claro que eu respondi-lhe à letra: “não podem esperar que as pessoas façam sempre mais além das horas que vocês pagam. Há vida para além da empresa!” E ele obviamente não gostou! A tal ponto que deixou de me falar durante duas semanas. Isto porque depois de ter sido mãe, deixei de fazer as 10/11h diárias, almoçar a correr e afins…
    Foram mais que muitas as vezes em que eu saía da obra à hora a que o infantário do meu filho estava a fechar… e quando me apercebi do efeito que isso tinha no meu filho, que na altura tinha 18 meses, foi nesse dia em que decidi mudar a minha carreira de rumo. Mudei de empresa e continuei a trabalhar na minha área, mas a lógica aqui é diferente: enquanto na obra só havia 1 horário – o de entrada – aqui onde estou, há hora para entrar e hora para sair. Não tenho problemas em dizer que preciso faltar porque tenho filhos doentes e muito menos tive pejo em dizer que estava grávida (do meu 2.º filho), algo que não aconteceu quando trabalhava em obra (não só tive receio de comunicar, como fui prejudicada descaradamente numa progressão na carreira).
    Mas posso dizer que uma colega minha aqui na empresa já foi acusada de ser má profissional, porque “falta muito”, porque tem 3 filhos e com vários problemas de saúde.

    Eu acho que podemos ter tudo, devemos ter tudo, mas com o devido equilíbrio. Podemos ser mães e ser profissionalmente realizadas. Temos é que deixar de associar o n.º de horas que passamos a trabalhar/no local de trabalho ao sucesso profissional.
    Porque como dizia um chefe meu em tempos: o importante não é a hora a que entramos ou saímos, o que importa é se temos o nosso trabalho feito.
    E se o meio laboral fosse mais assim, o nosso Portugalinho seria certamente mais produtivo, mais competitivo. Aliás, há tantos estudos de segurança e saúde ocupacional que explicam a curva de declínio de produtividade após um elevado n.º de horas a trabalhar.

    E eu também partilho da posição da Sónia, depender financeiramente dum homem “jamé”! Porque a minha mãe me deu esse mesmo exemplo, a minha mãe trabalhava e ganhava o dobro do meu pai. E eu vi o quanto ela era mais feliz por trabalhar e poder sustentar-se (não que precisasse!)

    E quanto aos filhos rapazes… tenho 2 e são totalmente diferentes. O mais velho prefere que lhe façam (e para minha tristeza, que escolham por ele) e o mais novo quer fazer tudo sozinho, é super independente e quer tomar a rédea de tudo.

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